Configurados ao Cristo
Padre Fábio de Melo
Queremos mostrar, apontar para um único caminho. Tiago fez da sua experiência humana e divina. Não se prenda aquilo que é exterior. Deus quer saber do coração, da intenção que está aqui dentro. É por isso que estamos salvos. Deus não se prende aquilo que os olhos mostra. É aquilo que você move dentro do seu coração, que você gera dentro do seu ser.
Metanóia é mudança de mentalidade. O grande papel da filosofia é abrir nossa mente para que conheçamos pensamentos sofisticados e aprendamos a valorizar o que é mais simples. A filosofia é um código que vai nos ensinar a ter um raciocínio sobre a realidade. A filosofia muda o nosso jeito de pensar. Jesus já conhecia isso. Jesus pauta sua ação missionária no empenho, em mudar a realidade das pessoas.
A verdadeira conversão cristã consiste em descobrirmos que começamos a pensar como Jesus pensou, sentir como Jesus sentiu. Aí a carta de São Paulo hoje. Não se prenda às aparências! O cristianismo não é uma religião de aparências. Deus não pode fazer nada com nossas obras se antes Ele não for dono do nosso coração.
Quantas vezes nos equivocamos na vida achando que Jesus quer nosso trabalho. Deus foi estreitando em mim uma compreensão de que nada disso tem valor se Ele não estiver no meu coração. Se Ele não tiver chance na minha vida, não adianta a missão ser grande.
Quando fui ordenado, minha ordenação foi uma festa. Um padre muito sábio, disse uma semana antes: "Fábio, não estarei em sua ordenação, mas sei que ela será badalada. Quando for celebrar sua primeira Missa, olhe só pra Jesus e na hora da consagração diga: A festa acabou. Agora sou eu e Você".
Minha gente, não tem outro jeito. Nossa vida vai entrando num funil. E agora? Sou eu e minha escolha! O que ficou para o meu coração? A vida missionária que eu escolhi? Este Deus que eu tanto anunciei? Se não tiver ficado a melhor parte eu errei em tudo o que fiz. Se eu aconselhei realidades que eu não levo para mim, eu vou ser hipócrita.
Se você não busca colocar os olhos em Jesus e ver que Ele tem predileção por você e quer te ver configurar nele sua fé vai ser vã.
Fico pensando que as vezes o grande problema é que não queremos pautar nossa vida no que Jesus pediu. Criamos nossa própria religião. Suba à via-sacra e você vai entender o cristianismo.
Religião que ensina preguiça é diabólica. Pague o dízimo e trabalhe! Lute pela vida. O sagrado não é um banco em que você vai tirar benefícios. O que damos a Deus deve ser gratuito senão vai ser mercantilismo. Não podemos admitir que a gente vá se configurando à mentalidade do mundo.
Não estamos querendo escolher. Queremos que o outro escolha por nós. Queremos configurar nossa mentalidade ao Cristo, ser homens e mulheres de oração, fazer o bem escolha de toda hora, de todo instante. Religião que faz mágica em nossas vidas não vamos pregar.
Não adianta você dizer que não quer. O crucifixo que está no peito tem que estar antes na sua alma. Para identificar isso, mergulhe no Evangelho. Não tem como errar, minha gente! Você vai ver o que Jesus escolhia, o que falava. Senão, não vamos chegar a lugar nenhum. Vamos nadar e morrer na praia. Salvação e condenação passam por nossas escolhas. Você vai dormir, dar as mãos para o que te salva ou te condena. O médico diz: 'Você para de fumar, ou morre'. Você escolhe não fumar? Então morre!
Você não tem o direito de não fazer esforço. Só temos o direito de esperar o impossível depois de buscar o que é possível! Soluções mágicas são frutos das realidades modernas.
Muitas vezes as mesmas fórmulas são ofertadas de maneira religiosa: "Deposite este valor e você vai ver a sua prosperidade acontecer". O povo da Canção Nova pede e não promete nada a não ser que TV e internet não vão sair do ar. Nós acreditamos que quando você está em casa, acompanha o Sorrindo pra Vida, PHN, Trocando idéias, Escola da Fé. Aí a gente descobre que melhor recompensa é salvação que entra na sua casa através do seu ouvido.
Depois que Deus acontece na sua vida, você vai dizer: "Senhor, agora sou eu e Você. Diga ao povo que eu fico".
Tantas iniciativas cristãs pelo mundo. Fico pensando na ação da Igreja pelo mundo, as pastorais que funcionam mesmo de maneira precária. Deus age onde, quando e como quer. Temos que dar o melhor para Deus. Na sua paróquia não tem tudo isso, mas, tem a mesma Eucaristia. É lá que você tem que demonstrar amor ao Cristo. “Senhor, agora sou eu e você”.
Preste atenção em Jesus e não despregue os olhos dele. É melhor riqueza que Deus tem para o mundo: é o Cristo. A Igreja não pode se desprender do compromisso de entregar Cristo ao povo através da Palavra, do exemplo, da vida.
João Paulo II era o mesmo Papa, mesmo caído na cama. O legítimo, agonizando em público. O chefe dele também morreu agonizando e não desistiu. O Padre Léo, veio morrer em público. Ele não tinha medo de mostrar seu pior.
Dom Hélder Câmara, um ser humano raro que fez do ser humano sua opção até o fim da vida. Não se acostumou com realidades modernas que nos fazem esquecer realidade antigas. Ele não se conformou com mentalidade do mundo e se configurou à face de Cristo. Na mentalidade que Deus tem que entrar para que você tenha a graça de fazer o que o Léo fez, criar uma comunidade maravilhosa.
Quando nos revestimos da couraça da arrogância, já erramos tudo. Não podemos mais continuar configurados ao mundo do preconceito. Deus quer que a gente vá àqueles que estão precisando mais. E nós precisamos ser atingidos por esta ação.
Permita que o Senhor mude sua mentalidade, seja um parceiro das coisas boas nesta vida. Descubra que esta Eucaristia possa ter repercussão dentro de você. Leve Deus para sua vida. A maior riqueza que a Canção Nova e a Igreja e tem para você é a pessoa de Jesus...
domingo, 6 de setembro de 2009
ABERTURA DO ANO SACERDOTAL
HOMILIA DE SUA SANTIDADE BENTO XVI
ABERTURA DO ANO SACERDOTAL NO 150° ANIVERSÁRIO DA MORTE DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
Basílica Vaticana
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Estimados irmãos e irmãs
Na antífona ao Magnificat, daqui a pouco entoaremos: "O Senhor recebeu-nos no seu coração – Suscepit nos Dominus in sinum et cor suum". No Antigo Testamento fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade: o homem é julgado em relação ao coração de Deus. Por causa da dor que o seu coração sente pelos pecados do mundo, Deus decide o dilúvio, mas depois comove-se diante da debilidade humana e perdoa. Além disso, há um trecho veterotestamentário em que o tema do coração de Deus se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oséias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egito chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão" (v. 8).
O coração de Deus comove-se! Na hodierna solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigênito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. Tudo isto a caro preço: o Filho Unigênito do Pai imola-se na cruz: "Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (cf. Jo 13, 1). Símbolo de tal amor, que vai além da morte é o seu lado traspassado por uma lança. A este propósito, a testemunha ocular, o Apóstolo João, afirma: "Um dos soldados perfurou-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água" (cf. Jo 19, 34).
Amados irmãos e irmãs, obrigado porque, respondendo ao meu convite, viestes numerosos a esta celebração com que entramos no Ano sacerdotal. Saúdo os Senhores Cardeais e os Bispos, de modo particular o Cardeal Prefeito e o Secretário da Congregação para o Clero, juntamente com os seus colaboradores, e o Bispo de Ars. Saúdo os sacerdotes e os seminaristas dos vários seminários e colégios de Roma; os religiosos, as religiosas e todos os fiéis. Dirijo uma saudação especial a Sua Beatitude Ignace Youssef Younan, Patriarca de Antioquia dos Sírios, vindo a Roma para se encontrar comigo e significar publicamente a "ecclesiastica communio", que lhe concedi.
Diletos irmãos e irmãs, detenhamo-nos em conjunto para contemplar o Coração traspassado do Crucificado. Há pouco ouvimos mais uma vez, na breve leitura tirada da Carta de São Paulo aos Efésios que "Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, estando nós mortos pelas nossas culpas, deu-nos a vida juntamente com Cristo... Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos Céus, em Cristo Jesus" (Ef 2, 4-6). No Coração de Jesus está expresso o núcleo essencial do cristianismo, em Cristo foi-nos revelada e comunicada toda a novidade revolucionária do Evangelho: o Amor que nos salva e nos faz viver já na eternidade de Deus. O evangelista João escreve: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 6). Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas.
Se é verdade que o convite de Jesus, a "permanecer no seu amor" (cf. Jo 15, 9) é para cada batizado, na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, dia de santificação sacerdotal, tal convite ressoa com maior vigor para nós, sacerdotes, de modo particular nesta tarde, solene início do Ano sacerdotal, por mim desejado por ocasião do sesquicentenário da morte do Santo Cura d'Ars. Vem-me imediatamente ao pensamento uma sua bonita e comovedora afirmação, citada no Catecismo da Igreja Católica: "O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus" (n. 1589). Como não recordar com emoção que diretamente deste Coração brotou o dom do nosso ministério sacerdotal? Como esquecer que nós, presbíteros, fomos consagrados para servir, humilde e respeitavelmente, o sacerdócio comum dos fiéis? A nossa missão é indispensável para a Igreja e para o mundo, que requer plena fidelidade a Cristo e união incessante com Ele; ou seja, exige que tendamos constantemente para a santidade, como fez São João Maria Vianney.
Queridos irmãos sacerdotes, na Carta que vos dirigi para este Ano jubilar especial, desejei salientar alguns aspectos que qualificam o nosso ministério, fazendo referência ao exemplo e ao ensinamento do Santo Cura d'Ars, modelo e protetor de todos os presbíteros, e em particular dos párocos. Que este meu escrito vos sirva de ajuda e de encorajamento para fazer deste Ano uma ocasião propícia para crescer na intimidade com Jesus, que conta conosco, seus ministros, para difundir e consolidar o seu Reino. E, por conseguinte, "a exemplo do Santo Cura d'Ars – assim concluí a minha Carta – deixai-vos conquistar por Ele e também vós sereis, no mundo de hoje, mensageiros de esperança, de reconciliação e de paz".
Deixar-se conquistar plenamente por Cristo! Esta foi a finalidade de toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos a nossa atenção durante o Ano paulino que já está próximo do seu encerramento; esta foi a meta de todo o ministério do Santo Cura d'Ars, que invocaremos durante o Ano sacerdotal; este seja também o objetivo principal de cada um de nós. Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil o estudo com uma formação pastoral atenta e permanente, mas é ainda mais necessária a "ciência do amor", que só se aprende de "coração a coração" com Cristo. Com efeito, é Ele que nos chama a partir o pão do seu amor, para perdoar os pecados e para guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por isso nunca devemos afastar-nos da nascente do Amor que é o seu Coração trespassado na cruz.
Só assim seremos capazes de cooperar eficazmente para o misterioso "desígnio do Pai", que consiste em "fazer de Cristo o coração do mundo"! Desígnio que se realiza na história, na medida em que Cristo se torna o Coração dos corações humanos, começando a partir daqueles que são chamados a estar mais próximos dele, precisamente os sacerdotes. Chamam-nos a este compromisso constante as "promessas sacerdotais", que pronunciamos no dia da nossa Ordenação e que renovamos todos os anos na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal. Até as nossas carências, os nossos limites e debilidades devem reconduzir-nos ao Coração de Jesus. Com efeito, é verdade que os pecadores, contemplando-O, devem aprender dele a necessária "dor dos pecados" que os reconduza ao Pai, isto vale ainda mais para os ministros sagrados. Como esquecer, a este propósito, que nada faz sofrer tanto a Igreja, Corpo de Cristo, como os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se transformam em "ladrões de ovelhas" (Jo 10, 1 ss.), porque as desviam com as suas doutrinas particulares, ou porque as prendem com laços de pecado e de morte? Estimados sacerdotes, também para nós é válido o apelo à conversão e ao recurso à Misericórdia Divina, e devemos igualmente dirigir com humildade uma súplica urgente e incessante ao Coração de Jesus, para que nos preserve do terrível risco de prejudicar aqueles que somos chamados a salvar.
Há pouco pude venerar, na Capela do Coro, a relíquia do Santo Cura d'Ars: o seu coração. Um coração inflamado de amor divino, que se comovia ao pensamento da dignidade do sacerdote e falava aos fiéis com expressões sensibilizadoras e sublimes, afirmando que "depois de Deus, o sacerdote é tudo! ... Ele mesmo não se compreenderá bem a si mesmo, a não ser no céu" (cf. Carta para o Ano sacerdotal, pág. 2). Amados irmãos, cultivemos esta mesma comoção, quer para cumprir o nosso ministério com generosidade e dedicação, quer para conservar na alma um verdadeiro "temor de Deus": o temor de poder privar de tanto bem, por nossa negligência ou culpa, as almas que nos são confiadas, ou de poder – Deus não queira! – prejudicá-las. A Igreja tem necessidade de sacerdotes santos; de ministros que ajudem os fiéis a experimentar o amor misericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas. Na adoração eucarística, que se seguirá à celebração das Vésperas, pediremos ao Senhor que inflame o coração de cada presbítero com a "caridade pastoral" capaz de assimilar o seu pessoal "eu" ao de Jesus Sacerdote, de maneira a poder imitá-lo na mais completa autodoação. Que nos obtenha esta graça a Virgem Maria, cujo Coração Imaculado contemplaremos amanhã com fé viva. Para Ela, o Santo Cura d'Ars nutria uma devoção filial, a tal ponto que em 1836, antecipando a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, já tinha consagrado a sua paróquia a Maria, "concebida sem pecado". E conservou o hábito de renovar com frequência esta oferta da paróquia à Virgem Santa, ensinando aos fiéis que "era suficiente dirigir-se a Ela para ser atendidos", pelo simples motivo que Ela "deseja sobretudo ver-nos felizes". Que nos acompanhe a Virgem Santa, nossa Mãe, no Ano sacerdotal que hoje inauguramos, a fim de que possamos ser guias sólidos e iluminados para os fiéis que o Senhor confia aos nossos cuidados pastorais. Amém!
BENEDICTUS PP. XVI
ABERTURA DO ANO SACERDOTAL NO 150° ANIVERSÁRIO DA MORTE DE SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
Basílica Vaticana
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
Estimados irmãos e irmãs
Na antífona ao Magnificat, daqui a pouco entoaremos: "O Senhor recebeu-nos no seu coração – Suscepit nos Dominus in sinum et cor suum". No Antigo Testamento fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade: o homem é julgado em relação ao coração de Deus. Por causa da dor que o seu coração sente pelos pecados do mundo, Deus decide o dilúvio, mas depois comove-se diante da debilidade humana e perdoa. Além disso, há um trecho veterotestamentário em que o tema do coração de Deus se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oséias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egito chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão" (v. 8).
O coração de Deus comove-se! Na hodierna solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigênito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. Tudo isto a caro preço: o Filho Unigênito do Pai imola-se na cruz: "Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim" (cf. Jo 13, 1). Símbolo de tal amor, que vai além da morte é o seu lado traspassado por uma lança. A este propósito, a testemunha ocular, o Apóstolo João, afirma: "Um dos soldados perfurou-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água" (cf. Jo 19, 34).
Amados irmãos e irmãs, obrigado porque, respondendo ao meu convite, viestes numerosos a esta celebração com que entramos no Ano sacerdotal. Saúdo os Senhores Cardeais e os Bispos, de modo particular o Cardeal Prefeito e o Secretário da Congregação para o Clero, juntamente com os seus colaboradores, e o Bispo de Ars. Saúdo os sacerdotes e os seminaristas dos vários seminários e colégios de Roma; os religiosos, as religiosas e todos os fiéis. Dirijo uma saudação especial a Sua Beatitude Ignace Youssef Younan, Patriarca de Antioquia dos Sírios, vindo a Roma para se encontrar comigo e significar publicamente a "ecclesiastica communio", que lhe concedi.
Diletos irmãos e irmãs, detenhamo-nos em conjunto para contemplar o Coração traspassado do Crucificado. Há pouco ouvimos mais uma vez, na breve leitura tirada da Carta de São Paulo aos Efésios que "Deus, que é rico em misericórdia, pelo grande amor com que nos amou, estando nós mortos pelas nossas culpas, deu-nos a vida juntamente com Cristo... Com Ele nos ressuscitou e nos fez sentar lá nos Céus, em Cristo Jesus" (Ef 2, 4-6). No Coração de Jesus está expresso o núcleo essencial do cristianismo, em Cristo foi-nos revelada e comunicada toda a novidade revolucionária do Evangelho: o Amor que nos salva e nos faz viver já na eternidade de Deus. O evangelista João escreve: "Deus amou de tal modo o mundo, que lhe deu o seu Filho único, para que todo o que nele crer não pereça mas tenha a vida eterna" (Jo 3, 6). Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas.
Se é verdade que o convite de Jesus, a "permanecer no seu amor" (cf. Jo 15, 9) é para cada batizado, na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, dia de santificação sacerdotal, tal convite ressoa com maior vigor para nós, sacerdotes, de modo particular nesta tarde, solene início do Ano sacerdotal, por mim desejado por ocasião do sesquicentenário da morte do Santo Cura d'Ars. Vem-me imediatamente ao pensamento uma sua bonita e comovedora afirmação, citada no Catecismo da Igreja Católica: "O sacerdócio é o amor do Coração de Jesus" (n. 1589). Como não recordar com emoção que diretamente deste Coração brotou o dom do nosso ministério sacerdotal? Como esquecer que nós, presbíteros, fomos consagrados para servir, humilde e respeitavelmente, o sacerdócio comum dos fiéis? A nossa missão é indispensável para a Igreja e para o mundo, que requer plena fidelidade a Cristo e união incessante com Ele; ou seja, exige que tendamos constantemente para a santidade, como fez São João Maria Vianney.
Queridos irmãos sacerdotes, na Carta que vos dirigi para este Ano jubilar especial, desejei salientar alguns aspectos que qualificam o nosso ministério, fazendo referência ao exemplo e ao ensinamento do Santo Cura d'Ars, modelo e protetor de todos os presbíteros, e em particular dos párocos. Que este meu escrito vos sirva de ajuda e de encorajamento para fazer deste Ano uma ocasião propícia para crescer na intimidade com Jesus, que conta conosco, seus ministros, para difundir e consolidar o seu Reino. E, por conseguinte, "a exemplo do Santo Cura d'Ars – assim concluí a minha Carta – deixai-vos conquistar por Ele e também vós sereis, no mundo de hoje, mensageiros de esperança, de reconciliação e de paz".
Deixar-se conquistar plenamente por Cristo! Esta foi a finalidade de toda a vida de São Paulo, a quem dirigimos a nossa atenção durante o Ano paulino que já está próximo do seu encerramento; esta foi a meta de todo o ministério do Santo Cura d'Ars, que invocaremos durante o Ano sacerdotal; este seja também o objetivo principal de cada um de nós. Para ser ministros ao serviço do Evangelho, é certamente útil o estudo com uma formação pastoral atenta e permanente, mas é ainda mais necessária a "ciência do amor", que só se aprende de "coração a coração" com Cristo. Com efeito, é Ele que nos chama a partir o pão do seu amor, para perdoar os pecados e para guiar o rebanho em seu nome. Precisamente por isso nunca devemos afastar-nos da nascente do Amor que é o seu Coração trespassado na cruz.
Só assim seremos capazes de cooperar eficazmente para o misterioso "desígnio do Pai", que consiste em "fazer de Cristo o coração do mundo"! Desígnio que se realiza na história, na medida em que Cristo se torna o Coração dos corações humanos, começando a partir daqueles que são chamados a estar mais próximos dele, precisamente os sacerdotes. Chamam-nos a este compromisso constante as "promessas sacerdotais", que pronunciamos no dia da nossa Ordenação e que renovamos todos os anos na Quinta-Feira Santa, na Missa crismal. Até as nossas carências, os nossos limites e debilidades devem reconduzir-nos ao Coração de Jesus. Com efeito, é verdade que os pecadores, contemplando-O, devem aprender dele a necessária "dor dos pecados" que os reconduza ao Pai, isto vale ainda mais para os ministros sagrados. Como esquecer, a este propósito, que nada faz sofrer tanto a Igreja, Corpo de Cristo, como os pecados dos seus pastores, sobretudo daqueles que se transformam em "ladrões de ovelhas" (Jo 10, 1 ss.), porque as desviam com as suas doutrinas particulares, ou porque as prendem com laços de pecado e de morte? Estimados sacerdotes, também para nós é válido o apelo à conversão e ao recurso à Misericórdia Divina, e devemos igualmente dirigir com humildade uma súplica urgente e incessante ao Coração de Jesus, para que nos preserve do terrível risco de prejudicar aqueles que somos chamados a salvar.
Há pouco pude venerar, na Capela do Coro, a relíquia do Santo Cura d'Ars: o seu coração. Um coração inflamado de amor divino, que se comovia ao pensamento da dignidade do sacerdote e falava aos fiéis com expressões sensibilizadoras e sublimes, afirmando que "depois de Deus, o sacerdote é tudo! ... Ele mesmo não se compreenderá bem a si mesmo, a não ser no céu" (cf. Carta para o Ano sacerdotal, pág. 2). Amados irmãos, cultivemos esta mesma comoção, quer para cumprir o nosso ministério com generosidade e dedicação, quer para conservar na alma um verdadeiro "temor de Deus": o temor de poder privar de tanto bem, por nossa negligência ou culpa, as almas que nos são confiadas, ou de poder – Deus não queira! – prejudicá-las. A Igreja tem necessidade de sacerdotes santos; de ministros que ajudem os fiéis a experimentar o amor misericordioso do Senhor e sejam suas testemunhas convictas. Na adoração eucarística, que se seguirá à celebração das Vésperas, pediremos ao Senhor que inflame o coração de cada presbítero com a "caridade pastoral" capaz de assimilar o seu pessoal "eu" ao de Jesus Sacerdote, de maneira a poder imitá-lo na mais completa autodoação. Que nos obtenha esta graça a Virgem Maria, cujo Coração Imaculado contemplaremos amanhã com fé viva. Para Ela, o Santo Cura d'Ars nutria uma devoção filial, a tal ponto que em 1836, antecipando a proclamação do Dogma da Imaculada Conceição, já tinha consagrado a sua paróquia a Maria, "concebida sem pecado". E conservou o hábito de renovar com frequência esta oferta da paróquia à Virgem Santa, ensinando aos fiéis que "era suficiente dirigir-se a Ela para ser atendidos", pelo simples motivo que Ela "deseja sobretudo ver-nos felizes". Que nos acompanhe a Virgem Santa, nossa Mãe, no Ano sacerdotal que hoje inauguramos, a fim de que possamos ser guias sólidos e iluminados para os fiéis que o Senhor confia aos nossos cuidados pastorais. Amém!
BENEDICTUS PP. XVI
Título: Acolhimento a Jesus
Acolhimento a Jesus
Senhor Jesus, eu te amo e creio no Teu amor por mim. Venho agora a Ti e convido-Te a entrar no meu coração a ser o Senhor da minha vida. Jesus, retira toda resistência que ainda está no meu coração e que impede o acolhimento da Tua graça. Senhor, eu quero rejeitar toda raiz de pecado que está no meu coração e que é obstáculo a Ti (exame de consciência.....). Lava-me no Teu Sangue e purifica-me. Renuncio, também, a todo pessimismo, derrotismo, tristeza, desconfiança e negatividade, porque quero que Tua alegria se instale no meu coração. E agora que o mal que estava em mim foi embora, mais uma vez, convido-Te: vem, Senhor Jesus, e toma posse do meu coração. Eu Te acolho como Senhor, Libertador e Salvador da minha vida. Vem, Jesus, vem reinar em mim, Senhor, vem viver plenamente em mim. Pai amado, eu Te agradeço, porque no Teu amor infinito me deste o Teu Filho Jesus - o Rei Jesus. A Ti, meu Deus, todo louvor, honra e glória. Agora e sempre.
Amém.
Senhor Jesus, eu te amo e creio no Teu amor por mim. Venho agora a Ti e convido-Te a entrar no meu coração a ser o Senhor da minha vida. Jesus, retira toda resistência que ainda está no meu coração e que impede o acolhimento da Tua graça. Senhor, eu quero rejeitar toda raiz de pecado que está no meu coração e que é obstáculo a Ti (exame de consciência.....). Lava-me no Teu Sangue e purifica-me. Renuncio, também, a todo pessimismo, derrotismo, tristeza, desconfiança e negatividade, porque quero que Tua alegria se instale no meu coração. E agora que o mal que estava em mim foi embora, mais uma vez, convido-Te: vem, Senhor Jesus, e toma posse do meu coração. Eu Te acolho como Senhor, Libertador e Salvador da minha vida. Vem, Jesus, vem reinar em mim, Senhor, vem viver plenamente em mim. Pai amado, eu Te agradeço, porque no Teu amor infinito me deste o Teu Filho Jesus - o Rei Jesus. A Ti, meu Deus, todo louvor, honra e glória. Agora e sempre.
Amém.
domingo, 30 de agosto de 2009
Depois do recesso escolar prolongado, estendido para ajudar a conter a disseminação do vírus Influenza A/H1N1, as escolas retomam suas atividades com uma série de orientações para dar continuidade à prevenção à gripe. Desde junho, a Secretaria Municipal de Educação vem transmitindo às escolas informações e orientações. Além disso, estão sendo distribuídas cartilhas específicas para as crianças menores (com ilustrações para colorir sobre as formas de transmissão e prevenção à gripe) e um material para alunos maiores e professores. Cartazes já foram afixados nas escolas.
Nenhum aluno perderá o conteúdo didático programado para este ano. A Secretaria Municipal de Educação determinou que as escolas cumpram os 200 dias letivos. Cada unidade escolar organizará a reposição tendo em conta as necessidades dos alunos, dos professores e da comunidade.
No segundo semestre será feita a matrícula antecipada para o Ensino Fundamental de 9 anos em conjunto com a Rede Estadual. Crianças com 6 anos completos até o início do próximo ano letivo já serão matriculadas no 1.º em 2010.
Chegam às escolas, no mês de agosto, os resultados da Prova da Cidade. Realizada em junho, a avaliação servirá para que os professores façam ajustes ao longo do ano, a fim de garantir a aprendizagem dos alunos. Em outubro, os estudantes farão a 3.ª edição da Prova São Paulo. Também serão feitas no segundo semestre a Prova e a Provinha Brasil.
Nenhum aluno perderá o conteúdo didático programado para este ano. A Secretaria Municipal de Educação determinou que as escolas cumpram os 200 dias letivos. Cada unidade escolar organizará a reposição tendo em conta as necessidades dos alunos, dos professores e da comunidade.
No segundo semestre será feita a matrícula antecipada para o Ensino Fundamental de 9 anos em conjunto com a Rede Estadual. Crianças com 6 anos completos até o início do próximo ano letivo já serão matriculadas no 1.º em 2010.
Chegam às escolas, no mês de agosto, os resultados da Prova da Cidade. Realizada em junho, a avaliação servirá para que os professores façam ajustes ao longo do ano, a fim de garantir a aprendizagem dos alunos. Em outubro, os estudantes farão a 3.ª edição da Prova São Paulo. Também serão feitas no segundo semestre a Prova e a Provinha Brasil.
Gilson Rodrigues
Não sei quem sou, que alma tenho.Quando falo com sinceridade não sei com que sinceridade falo.Sou variamente outro do que um eu que não sei se existe (se é esses outros)...Sinto crenças que não tenho.Enlevam-me ânsias que repudio.A minha perpétua atenção sobre mim perpetuamente me pontatraições de alma a um carácter que talvez eu não tenha,nem ela julga que eu tenho.Sinto-me múltiplo.Sou como um quarto com inúmeros espelhos fantásticosque torcem para reflexões falsasuma única anterior realidade que não está em nenhuma e está em todas.Como o panteísta se sente árvore (?) e até a flor,eu sinto-me vários seres.Sinto-me viver vidas alheias, em mim, incompletamente,como se o meu ser participasse de todos os homens,incompletamente de cada (?),por uma suma de não-eus sintetizados num eu postiço."
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
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